Não é difícil escrever sobre os parcos anos que passei no Colégio Concórdia, em Canoas. Afinal, quase todos os dias que lá vivi passam na memória quando me encontro com cada um de vocês. Lembro de cada momento, desde a saída de Rio Grande, no final de 1975, até a saída de Canoas, ao final de 1977. Nunca fui uma pessoa de navegar por portos inseguros, desconhecidos...gosto de saber onde piso, gosto de preservar as raízes. Um erro? Talvez.
Lembro que era um verão de 1975, os anos ainda eram de “chumbo” mas as emoções não. Nunca fomos uma família com capacidade financeira para nos dar conforto, mas nunca deixamos de buscar o melhor, de buscar avançar socialmente. Isso, no entanto nos trouxe serenidade, a união em família e a vivência de cada momento. Para o bem e para o mal, com flores e com cicatrizes.
Construí laços de amizade em Rio Grande, forjados em meio a um cenário social repleto de impossibilidades de circulação a não ser aquelas permitidas. A cidade era uma zona de segurança nacional e tudo aquilo que essa expressão significava. Nossas “maravilhas” era ficarmos em casa, junto com uma penca de amigos, conversando, comendo, jogando “escova”, “pife” ou canastra. Com regras rígidas. Não valia trinca de mesma carta, para ferrar com o jogo alheio.
Um dos grandes amigos, o Dr. Luiz Carlos Hilário, o “Portuga”, era filho do proprietário do saudoso Paris Hotel, que lá está até hoje. Muitas noites passamos, até sermos corridos, na sala de jogos disputando torneios de canastra valendo cigarro.....sim, já fumei na vida. E era o que tínhamos para apostar.
Mas porque estou lembrando isso se aqui é um espaço de outro grupo?
Só para lembrar o que significava aquela família, aquele porto seguro, aquelas pessoas com quem vivia 15h ou 16h por dia. Pelo menos nas férias!!!!
E aqui começo a trazer os momentos mais difíceis para um jovem interiorano (sim, tinha 17 anos!), que nunca tinha ultrapassado a ponte do Rio São Gonçalo, que divide Rio Grande e Pelotas para morar em outro lugar.
Os amigos, a segurança, a vida era lá. Era atravessar o “Calçadão” do centro da cidade, passar na chocolateria do “seu” Couto e....ser feliz.
Lembro bem que era um domingo. Sem telefone em casa ou celular (ahhhhh que falta isso fez na época) para chamar o “carro de praça”, vagamos pela rua em direção ao ponto. Meus pais e minha irmã. Não quis olhar para trás.
Lá estavam todos os amigos reunidos, jovens que enxergavam uma família partir para uma aventura, para o desconhecido, para lá sei eu onde. Minha cabeça era um turbilhão de emoções, um vendaval de incertezas, uma decepção por estar perdendo minhas referências emocionais.
Quase quatro horas depois, chegávamos a Porto Alegre. A cidade grande e agitada. O desconhecido. Como fomos para Canoas? Não lembro. Mas ali começava uma outra história que começo a descrever em outro momento.
Bjs!

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